Qual a principal lição da crise até aqui?

03/04/2020

Enquanto o coronavírus se espalhava pelo globo no início do ano, as Bolsas do mundo todo renovavam suas máximas históricas. De um dia para o outro, como se tivessem tomado um beliscão — o famoso choque de realidade —, os mercados despencaram de forma abrupta.

Afinal, economistas, analistas, gestores e investidores erraram ao não antecipar o estrago que estava diante deles?

Para Florian Bartunek, gestor da Constellation Capital, uma das mais renomadas gestoras do país, há uma série de fatores que ajudam a explicar o comportamento errático do mercado nessa crise, quando comparada a quedas anteriores. O primeiro é a taxa de juros em mínimas históricas, que parecia não deixar escapatória ao investidor.

O pensamento foi o seguinte: "Se eu saio da Bolsa agora, vou para o juro zero ou juro negativo, enquanto minha inflação é um pouco mais alta que 3% ou 4% ao ano".

O segundo ponto foi a distância entre o foco inicial de proliferação do vírus e o dia-a-dia da maioria das pessoas. "Tinham muitos sinais e muitos ruídos, como a própria ideia de que o vírus não sobreviveria ao calor. As pessoas acharam que no Brasil seria diferente", diz Bartunek.

O terceiro fator foi o otimismo do investidor com a boa fase das empresas brasileiras. "Eu acho que as empresas listadas, em geral, estavam começando a melhorar. As coisas estavam acontecendo, tinha IPOs, fluxo para a Bolsa e todo aquele potencial. Ainda não estava muito claro qual seria o efeito [do vírus] nessas companhias".

A velocidade com que os mercados caíram — com sucessivos circuit breakers — também impediu os investidores de tomarem decisões sobre a venda de seus ativos. "Em 2008, houve mais oportunidades de vender ao longo do tempo, porque a Bolsa caía, depois subia um pouco. Mas dessa vez foi muito violento", compara.

Por se tratar, segundo o gestor, de uma crise "com início, meio e fim", muitas pessoas seguraram seus papéis, com medo de vender na baixa. "Alguns gestores até reabriram os fundos, mais animados com as oportunidades. Porque se as empresas boas vão sobreviver, ninguém vai vender por um terço do valor", diz.

A principal lição da crise até aqui
Para Bartunek, contudo, de nada adianta dizer que as empresas estão baratas se o perfil de risco e a carteira do investidor não comportarem novas quedas. E essa, segundo ele, é a principal lição da crise até aqui. Maior inclusive, do que a ineficiência do mercado em antecipar o tamanho do problema que se aproximava.

"A lição dessa crise não é 'poxa eu não vi, eu não adivinhei', mas sim eu 'entrei na crise com um portfólio errado'".

Impactos no Ibovespa
Bartunek acredita que as empresas brasileiras sofrerão de forma muito distinta os impactos da crise. "A gente vive em uma ilha. Existe um grupo mais resiliente, mas é um percentual do resto do Brasil, a imensa maioria das empresas vai sofrer muito".

Para ele, o investidor em Bolsa pode ter certa tranquilidade sobre a sobrevivência das empresas mais líquidas, desde que não esteja posicionado em nenhuma "aventura". E completa: "Eu não estou preocupado com a Renner e essas companhias, eu estou preocupado com pessoas que sempre tiveram aqui pra me ajudar, meu barbeiro, o taxista que me leva ao aeroporto e o restaurante onde eu almoço".

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Foto: Depositphotos